Um brinde ao amor não fingido, ao amor sentido e colocado em prática. Um amor de cara limpa, não entendido, que incomoda. Um brinde aos amores partidos que fizeram maduros corações. Um brinde às dores de cotovelos que destronaram paixões e desencadearam laços de extremas afeições. Um brinde à poesia rica de verso, pobre de rima, de firme convicção, banhada de sentimento, fora de tempo, de linha e padrão. Um brinde às mães, de sangue ou coração, presentes ou não. Que carregam consigo cantigas eternas de preciosa tradição. Um brinde à elas e suas insistentes definições: é carinho de mãe, colinho de mãe, cheirinho de mãe, comida de mãe, conselho de mãe, saudade de mãe, falta de mãe. Um brinde ao abraço demorado, descarregador de mágoas, validado por sinceridade, doado e não vendido. Um super brinde aos surpreendentes acontecimentos dos imagináveis de repentes de Deus, que mudam os nortes, derrubam os muros e renovam os rumos. Outro brinde ao beijo amigo, desarmador de máscaras, folhado de alegria, vizinho do sorriso, possuidor de simplicidade e calmaria. Um brinde à nostalgia que faz do sol companhia, que mantem vivos fatos, riscos fartos de folia. Um brinde ao misterioso futuro que o Autor reservou aos que decifraram os segredos pintados nos olhos das crianças. Brindemos, então, à elas e à pureza escondida no tímido sorriso de primeiros contatos, à viagem infantil ao país da fantasia, onde moram seus sonhos e magias. Um brinde à capacidade só delas de lapidar em nós tesouros de pirataria, perdidos por entre as ruínas da nossa antipatia. Um brinde à sensibilidade de trilhar os esconderijos que só o Criador sabia que nos trazem coragem de encontrar a saída. Um brinde à elas! Um brinde a Eles. Um brinde à vida!Tin Tin
Um brinde ao amor não fingido, ao amor sentido e colocado em prática. Um amor de cara limpa, não entendido, que incomoda. Um brinde aos amores partidos que fizeram maduros corações. Um brinde às dores de cotovelos que destronaram paixões e desencadearam laços de extremas afeições. Um brinde à poesia rica de verso, pobre de rima, de firme convicção, banhada de sentimento, fora de tempo, de linha e padrão. Um brinde às mães, de sangue ou coração, presentes ou não. Que carregam consigo cantigas eternas de preciosa tradição. Um brinde à elas e suas insistentes definições: é carinho de mãe, colinho de mãe, cheirinho de mãe, comida de mãe, conselho de mãe, saudade de mãe, falta de mãe. Um brinde ao abraço demorado, descarregador de mágoas, validado por sinceridade, doado e não vendido. Um super brinde aos surpreendentes acontecimentos dos imagináveis de repentes de Deus, que mudam os nortes, derrubam os muros e renovam os rumos. Outro brinde ao beijo amigo, desarmador de máscaras, folhado de alegria, vizinho do sorriso, possuidor de simplicidade e calmaria. Um brinde à nostalgia que faz do sol companhia, que mantem vivos fatos, riscos fartos de folia. Um brinde ao misterioso futuro que o Autor reservou aos que decifraram os segredos pintados nos olhos das crianças. Brindemos, então, à elas e à pureza escondida no tímido sorriso de primeiros contatos, à viagem infantil ao país da fantasia, onde moram seus sonhos e magias. Um brinde à capacidade só delas de lapidar em nós tesouros de pirataria, perdidos por entre as ruínas da nossa antipatia. Um brinde à sensibilidade de trilhar os esconderijos que só o Criador sabia que nos trazem coragem de encontrar a saída. Um brinde à elas! Um brinde a Eles. Um brinde à vida!Vou seguir

Segui seu conselho, abri a janela e a luz invadiu a sala, tornando-a mais aconchegante do que nunca. O vento me trouxe um segredo perfumado de brisa. Nós tínhamos tudo, mas você roubou meu chão e seu olhar angelicalmente infantil suplicou minha retirada. Estou certa que deixei flores no seu caminho e o cheiro lhe perturba o sono. Tudo bem, não foi em vão, agora sei mais do amor, agora sei mais de mim. A luz entrou e casa se encheu de esperança. Fica mais fácil sorrir quando o vento sopra fora as velhas folhas de um saudoso passado, deixando tudo limpo para receber a tão esperada visita. E esta, traz consigo canções de novidades regadas de amor. Segui seu conselho, vou abrir e dar passagem. Que venha o novo, novos ares, novas recordações, novo tudo, novo eu, novo você, de novo nós!
Coisa Nossa

Me vi no alto, bem alto mesmo, e voando, sei lá! E lá em baixo um homem com roupas brancas correndo em alta velocidade. Seus cabelos dançavam no vento. Era um deserto montanhoso, bem largo e marrom, tinha muita pedra e poeira. E eu escutava uma voz gostosa cantando: Yeshua. De vez enquando dava pra ver Seu rosto e sorria abertamente. De repente salta de um monte bem alto e se transforma em um leão. É, a coisa é esquisita assim mesmo. Era um leãozão lindo! Ele continuava correndo e saltando os montes, e eu não sabia se chorava ou se ria. Daí eu fiquei emocionada e gritava: Leão de Judá! Leão de Judá! E a música continuava e eu ia ficando cada vez mais louca. Havia uma inexplicável emoção que não me deixava quieta e eu rugia junto com Ele, e pulava, e rugia de novo, e gritava. Eu sei, é engraçado pra mim também. Acabei me pegando numa dancinha gostosa de reggae. Quando tudo ficou suave o Leão parou no alto de um monte e rugiu diferente, bem mais alto e em câmera lenta. Então, se transformou no Homem. Daí, olhou pra mim aqui em cima, abriu os braços, como se pedisse um abraço. E me mandou um beijo. E ficamos rindo até a música acabar e eu voltar pra realidade.
Eu e Deus.
Pra nós todo amor do mundo

Te procuro o tempo inteiro, vasculho meus pensamentos e te encontro lindo, com aquele sorriso singelamente traiçoeiro que me encanta, me envolve e faz me perder nas indefinidas conjugações do tempo. O que compartilhamos vai muito além das definições humanas, o carinho que nos salta aos poros não cabe nos incômodos moldes já impostos, toda tentativa de compreensão cai por terra. Nossa ternura só testifica a intensidade da nossa ligação. Sem reservas declaro que te amo, pois não é de agora, mas de muito antes de ser e muito mais forte que eu. E... sabia? ^^
Ele que fez; Ele pode!

Às vezes Te pego dançando enquanto Te adoro. Me faz rir entre um “Santo” e outro. E morrendo de rir me pergunto: Como o Senhor da dança consegue dançar tão desengonçado assim? =D Só pra me alegrar mesmo. O mais engraçado é que nem Ele mesmo resiste às suas gracinhas. E morremos de rir. E fico olhando pra Ele que nem uma boba, cheia de uma satisfação única. Então, se curva pra me agradecer como nos grandes teatros. Privilegiada que sou, de poder desfrutar desse seu lado irreverente tão pouco divulgado. Meu príncipe bem ali na minha frente me fazendo rir e me fazendo bem.
Só Você pode.

Vem cá, deite ao meu lado, me faça um cafuné, me faça sentir bem, me faça rir. Quando eu preciso muito de alguém eu só Te tenho como opção. Você faz isso de propósito, né! Te entendo completamente. Você sabe que assim me terá do jeito que mais gosta. Embora eu procure nos outros, sei que só Você é capaz de me dar o que exatamente preciso. Você sente ciúmes e Você pode. Começo sem entender e termino agradecendo. Com Você as palavras se tornam indispensáveis, fluem tão natural. De leve encosto minha cabeça em seu ombro e lê meu coração. Fecho bem os olhos e Te vejo satisfeito, com aquela carinha de sapeca, só Sua. Então, me abraça e choro até dormir.
Dependência de quem?

Andei relendo minha monografia e achei isso interessante...
Com a realização deste trabalho foi possível, também, identificar índices de preconceitos em realção à dependência dos deficientes visuais não apenas por parte dos videntes, mas em alguns casos por eles mesmos. Boa parte admite não se sentir confortável com a ideia de que sempre irá precisar do auxílio de outras pessoas para executar tarefas que de outra forma executaria com facilidade.
No entanto, a dependência vai muito além de contar com ajuda de outros no ato da compra, como se a dependência resumisse apenas nisso. Certa vez uma garota fez um discurso em sua formatura e disse que não dependemos de ninguém para realizar nossos sonhos, que basta nossa determinação e força de vontade para alcançarmos o nosso objetivo. Afinal, somos nós que pagamos nossas contas e não devemos satisfação a ninguém.
Assim como essa garota, existem milhares pessoas que pensam de maneira semelhante e ignoram a possibilidade de depender dos outros, como se fosse algo terrivelmente vergonhoso. Você pode pagar suas contas, mas até para a água que tanto necessita chegar a sua torneira você depende de pessoas capacitadas e dispostas a fazer isso, independente da motivação. É muito comum estigmatizarmos os cegos e sentir pena deles por serem indivíduos dependentes, mas quem não é? O que seria das obras de artes em suas galerias se não houvesse pessoas para admirá-las? O que é uma marca ou a posse de um artigo de luxo se não há a quem se exibir? Se não há como compará-la? Somos todos animais que por mais que o orgulho não permita admitir dependemos uns dos outros.
O autor José Saramago ilustra perfeitamente a nossa dependência da visão e das pessoas no livro Ensaio Sobre a Cegueira. O romance nos leva a fazer diversas reflexões acerca de nossa forma de vida, nossos costumes e caráter. Depois que todas as pessoas perdem a visão para que serve o nome, formação ou conquistas? Tornam-se como cachorros que se conhecem pelo cheiro, pelo ladrar, pelo falar. Quando se encontram na mesma situação procuram se agrupar como se quisessem proteger um ao outro, contudo, quando se deparam com seus interesses próprios a solidariedade é questionável. Isso nos leva a pensar que não existe reciprocidade no medo egoísta, por outro lado não há racismo na cegueira, se não, a apatia pelo proceder que desagrada. Uma cor não te faz superior nem inferior a ninguém. Não há beleza a não ser a de um caráter irrevogável e a do respeito com seus semelhantes.
Sendo assim, este trabalho não tem a pretensão de ser conclusivo, ao contrário, ele pede para ser superado. Pois, ainda há o que explorar, uma vez que o universo do deficiente visual tem muito mais a oferecer não apenas em termos de pesquisa científica para um trabalho acadêmico, muito mais para nosso aprendizado como seres humanos que precisamos aprender a lhe dar com as diferenças, a não fazer acepção de pessoas que sentem dificuldades em executar tarefas que para nós, titulados normais, são simples de realizar e a não nos julgarmos superiores sentindo pena de quem possui um sentido a menos.
Afinal, “qualquer um pode tentar recriar o mundo para construir, no seu lugar, um outro mundo, em que seus mais insuportáveis aspectos são eliminados e subistituídos por outros que estão em conformidade com os desejos de qualquer um”. (FREUD apud ANDRÉ, 2006).
Até quando

Ela era linda até enxarcada de rugas, era doce até quando sua alma ardia de amargura, gentil até quando em alta voz xingava horrorosos palavrões. Ela conseguia ser forte até mesmo quando o medo saltava aos olhos, divertida até quando não havia resquícios de alegria em seu semblante, sorridente até quando lhe faltavam todos os motivos do mundo. Ela conseguia ser companheira até estando ausente. Era mãe até quando não precisava e amiga até quando precisava não ser. E continua sendo minha mesmo tendo me deixado há tanto tempo.
Daqui de baixo

Embaraço de sentimentos
Temos o dom de complicar
Tendemos sempre ao extremo
Muito de mais e pouco de menos
Há tanta coisa fora da ordem
Pulo quando é pra saltar
Giro quando é pra avançar
Esquivo-me quando é pra ajoelhar
Não me enxergo quando olho para os outros
Procuro espelhos e vejo quem não quero olhar
Me entreguei, já não vivo o comum de uma vida igual às outras
Busco passos no ritual da minha implacável rotina
Encontro obstáculos regados de regras, cansativas repetições, e o suor arde em meus olhos impedindo que eu me atente ao que próximo de mim está
Meu falar é carregado de doses homeopáticas de ternura,
Não me permito errar.
A queda me constrange, mas me levanto, fecho as portas e me tranco em mim
Restando apenas eu e minha inútil soberba.
Aprendi que há muito mais na verdadeira dança.
Existe uma entrega real, que nem meus membros e articulações conseguem expressar
Me desprendo das amarras de um estreito bailar e me lanço
Daqui de baixo fica mais fácil ver onde se encontram meus erros
De joelhos nivelo o terreno rochoso do meu orgulho cedendo espaço para extravagância
Organizo meus desejos e sonhos e danço.
Sorrateiramente

Fiz uma cabaninha de coberta pra ganhar privacidade e enquanto eu chamava seu nome me imaginei criança. Logo entrei na personagem e já senti ansiedade do Pai vir brincar comigo. Tive que me conter ao vê-lo entrar sorrateiramente e com aquele sorrisinho de bom moço dizer: “Com licença, doce senhorita!” Dessa vez portei-me como uma adolescente de trança, franjinha e vestido rodado. Com um tímido sorriso de canto, respondi de leve: “Fique á vontade, querido rapaz!” Nos olhamos com tanta ternura que as palavras tornaram-se desnecessárias. Tinha mais amor nos seus olhos do que em seus lábios. Foi, então, que me dei conta de que é esse mesmo amor que espera que eu coloque em prática. Agindo mais que falando. Adormeci ali mesmo, segurando sua mão e te amando ainda mais e mais!
E demorar...

Foi bem agora, me encolhi no Teu colo. Ainda sem entender que espécie de amor é essa, escorreguei minha mão pelo Seu rosto grande e pude sentir o ingênuo pinicar do despontar de Sua barba. Pode parecer estranho, mas Te humanizo sempre que meu desejo por Sua presença se torna incontrolável. Aí, eu choro, porque não me agüento! Preciso externar! Então resmungo doces palavras enquanto minha boca procura por seus ouvidos. Tem hora que Te sinto denso. Quanto mais aperto meus olhos mais nítido Te vejo. E quanto mais aperto mais vontade tenho de Te apertar. E Te beijar. E demorar num abraço.
...dar passagem
"Estava à toa na vida o meu amor me chamou pra ver a banda passar Cantando coisas de amor. A minha gente sofrida despediu-se da dor. Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou. O faroleiro que contava vantagem parou.
A namorada que contava as estrelas parou para ver, ouvir e dar passagem.
A moça triste que vivia calada sorriu. A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou pra ver a banda passar cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou que ainda era moço pra sair no terraço e dançou. A moça feia debruçou na janela pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu. A lua cheia que vivia escondida surgiu. Minha cidade toda se enfeitou pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto o que era doce acabou. Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou. E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor. Depois de a banda passar cantando coisas de amor."
Do nada me veio essa música na cabeça. Por instantes a cantarolei e passei a reparar sua letra. Quando Chico Buarque a escreveu talvez não tivesse dado conta da verdade que seria cantada. Eu vejo que essa banda que canta coisas de amor se refere às pessoas cheias de Deus e sua irradiante alegria que se dispõem em levar as boas novas aos perdidos. E ninguém, ao ouvir sobre o amor, consegue ficar normal. Onde há o AMOR o sofrimento tem que sair mesmo. Deixamos de pensar nas coisas terrenas. Até a tristeza salta de alegria. O AMOR nos fortalece. Os jovens, as virgens e até os velhos dançam. O AMOR insiste, tráz revelação ao que estava escondido e enche de cor nossa vida. Muitas vezes quando o AMOR passa por nós nos encontramos à toa, sem menos esperar Ele vem. Contudo, assim como na parábola do semeador, paramos para escutar, curtimos a levada, até dançamos, mas não seguimos a banda. Ela simplesmente passa por nós e tudo volta ao seu lugar. E assim como cada pessoa dessa cidade, vemos a banda passar e não buscamos mudança. Preferimos viver no comodismo de nossas vidinhas medíocres. Preferimos a suposta segurança e o conforto de nossos lares e esquecemos do que nos diz as Escrituras. Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
Vemos, ouvimos e, infelizmente, damos passagem. E Ele passa.
Esclarecendo
Quando eu falei que queria casar com um skatista é 'um' skatista e não 'o' skatista.
Não tenho ninguém em vista, estou esperando em Deus.
Não quero nada com o Markito, que ele seja feliz no seu casamento e a Gisele é um amor de pessoa.
E quando eu disse 'frustação' não quer dizer que vivo em função disso.
Quem me justifica é Deus!
"Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo praga nenhuma o alcançará. Eu fiz do Senhor minha rocha, escudo e refúgio e nenhum mal me sucederá..."
Nada de regras, somente escolhas!
Um sistema dita as regras e precisamos nos encaixar. Você não concorda, mas tem que se esforçar pra caber. Vamos! Se esprema, se esmague, mas se encaixe! Não importa se te sufoca, o importante é entrar. Fiquei quieto e de preferência calado. Atitudes regradas em função do outro. Alguém te copia, então trate de ser o que esperam de você. Apenas seja, isso basta! Não importa, tem que caber. Não faça movimentos bruscos e sorria, você está sendo filmado!
Por um momento minha tempestiva, limitada e humana mente me fez acreditar que as coisas funcionam assim. Por um surto instantâneo me deixei levar pelo gosto azedo de minha insignificante revolta. Mas, Sua palavra veio como LUZ! (Te amo!) Você me mostrou que é necessário mesmo sendo tão chato pra mim.
“Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem, tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos para que sejam salvos.” I Cor. 10:32,33
O Senhor é tão lindo que chega a me constranger. Tão simples e delicado, quando fala é diferente, bate de frente, contudo não chega a doer. Não vejo como regrinhas pré-estabelecidas, mas como escolhas a serem feitas. E eu Te escolho! Quero viver sua simplicidade pautada no amor. Sigo tentando...
Sem manha
Eu me vi de pé no meio de um gigantesco espaço aberto. Como uma criança envergonhada tapava os olhos. Tinha medo de abrir e me deparar com a densa escuridão que me cercava, preferia a minha, é mais aconchegante. Eu sabia que estava sendo observada por alguém muito grande. O silêncio era rasgado pelo choro que eu não conseguia guardar em mim. Meu corpo esperava tenso o toque de Sua mão. E nada! E assim fiquei lá parada por um longo tempo. Era noite e o frio esbarrava bruscamente em minhas pernas. Aos poucos o choro se aquietou e foi quase possível ouvir as batidas do meu ansioso coração. E me acalmei, mas ainda esperava ser abordada pelo suave toque de Suas mãos. Naquele momento senti como se não houvesse mais ninguém me observando. Nada acontecia, nada se movia, nada! O silêncio interrompia meus pensamentos. Fui criando coragem e lentamente fui escorregando as mãos e aos poucos fui abrindo os olhos. Nesse intervalo imaginei que estaria bem à minha frente esperando abri-los de vez, mas não. Fiquei sem norte! Fixei os olhos e a escuridão foi se dissolvendo e já podia perceber que mesmo longe havia uma paisagem. Meus pés pareciam estar enraizados na terra. Com muito esforço dei um passo inseguro na esperança de ser interrompida pelo leve toque de Sua mão. Me conformei com Sua aparente ausência. Caminhei alguns minutos até me sentir aliviada. Um sol fraquinho pediu licença e me veio fazer companhia. O sorriso, então, se apresentou de forma espontânea. E assim, sem esperar, Você tocou meus ombros e sumiu sem me dar a chance de compartilhar o sorriso. E eu olhava desesperadamente por todos os lados, mas Se escondia de mim. Aí, Te senti sem Te ver. O vento brincava com meus cabelos enquanto eu me abraça pra Te abraçar. Intimamente Te ouvi dizer baixinho: Me encontre no sorriso sem culpas, sem manhas, sem complexos, sem auto-piedade, sem medos e cheio de Mim. Tá bom! Respondi te amando ainda mais.
Incômoda exposição
Aí vem alguém, invade meu porão, mexe nas minhas coisas e me expõe. Me sinto invadida, exposta à claridade da lanterna dos olhos dos outros. Essa exposição me incomoda. Prefiro me trancar em mim e fingir esquecimento do que não admito possuir. Mesmo mofado e úmido meu porão é mais seguro do olhar terceiro que me mostra o que ainda não foi e precisa ser corrigido. Eu sei, mas saber que eles sabem me incomoda. Difícil mesmo é reconhecer que estão certos e que enquanto não for consertado irão permanecer e continuarão me expondo e me incomodando e me invadindo. Um ciclo natural das coisas naturais, naturalmente tratadas. E assim vou.
Agora eu sei
Desde que nascemos somos obrigados a aprender várias coisas. Aprendemos a chorar, logo, aprendemos que se consegue um monte de coisa com este choro. Aprendemos a andar, a falar e a distinguir pessoas queridas. Aprendemos a fazer um monte de coisas. Daí, aprendemos que não se pode fazer um monte de outras coisas. Aprendemos a ler, escrever, construir amizades, desfazê-las, refazer. Chega um tempo que aprendemos que não existe Papai-Noel, que o Coelho da Páscoa é uma farsa, que se não dormimos Cuca nenhuma virá nos pegar e que floresta encantada só existe no nosso imaginário. Aprendemos que nem toda amizade é pra sempre, que não existem as tais encomendas das cegonhas, que uma hora ou outra aquela idéia de bater a campainha do vizinho e sair correndo vai dar errado, que aquela paixão avassaladora nem era tão forte assim. Aprendemos que pessoas que amamos muito também morrem e embora a dor seja muito grande, aprendemos que passa. Aprendemos que embora tenhamos aprendido muita coisa ainda há muito o que aprender. Esses dias aprendi que não posso dizer que amo a Deus se não busco conhecê-lo todos os dias, se desprezo a única arma de ataque que tenho em minha armadura e se não consigo passar 30 minutos por dia em Sua presença. Foi duro, mas aprendi isso. Pode parecer totalmente contraditório, mas foi o balde de água fria que despertou o fogo que estava em mim adormecido.
Só o que restô.
Num cantinho envolto de cobertô
Toda trabalhada em vestido de flô
Nos olhinhos gotas de amô
Saudade que veio e visitô
Sem querer, a pobre coitada, bateu no peito e machucô
Na porta do coração palavras duras sem cô
Escritas no papelão que o vento num carregô
Fique quietinha que o tempo passa e nas suas asas leva a dô
Espero poder um dia ficar ao seu dispô
Cantar poesias bonitas com voz de cantadô
Deitada no seu colo até o sol se pô
Fico só com a fotografia que o tempo amarelô
Te tenho só um pouquinho e foi só o que restô.
Ainda gosto dele (do skate e não do Markito)!
Não posso negar minha paixão pelo skate, meu sonho de casar com um skatista, minha instantânea empolgação em ouvir o som das rodinhas ao bater no chão, a saudade dos tempos que eu era mais ligada à ele... Enfim, gostei do que vi. Uma harmonia perfeita, a precisão dos movimentos, a leveza da música, o estilo "gracinha" do skatista, as cores, tudo perfeito. Amei! =]
Nada em troca

O alarme irritante do cachorro avisava que alguém tentava interromper o nosso momento. Quando fui ao seu encontro ele já estava de saída. Não fiz questão de que revertesse seu curso, mas me olhou com um olhar melado, que de tão escorregadio quase me convenceu a dar-lhe um pouco mais da minha atenção. Era uma mistura de compaixão, vergonha e surpresa. Não me permiti outra ação que não fosse a de recuar. Só que, antes de recolher-me percebi que o motivo da repentina visita estava bem ali em cima da mesa. Fingi que não havia visto e de costas senti que aquele cambaleante ser queria mais que uma tímida troca de olhares. Me faltou chão, lugar, palavras. A aproximação não se prolongou, porém me fez chorar em silêncio. Num estalo entendi que o amo, não importa o quanto se afaste, nada mudará o rumo natural das coisas. Foi dele que vim, não há como fugir da minha realidade. É um sentimento sem nexo, mas que insiste em me acompanhar. Justo no momento em que eu estava ali a dançar na Santa presença, embalada ao doce som de uma rouca voz de um Black Power louco. Num instante sem ligação nenhuma com o mundo real, ele me aparece com um sorriso flácido, olhar distante e triste, voz rastejante, regado de uma bebida de cheiro nada agradável e me desmonta; cheiro esse que passa longe do agradável aroma do Seu vinho novo. Não é justo, ele também precisa Te experimentar! A verdade é que o amo, apesar dos pesares. Talvez, seja esse o sentimento que Senhor espera de mim, amor sem condição. E ele não precisa se esforçar para ter de mim o que nunca soube me dar...
Ilusão Consciente

Hoje vou assim!
Hoje vou dançar com malabares e sem sair do chão vou saltar de pára-quedas com fantasia de flor. Vou me enveredar nos rastros de Seus tecidos e texturas e me pandeirar de cor. Quero correr pela avenida, passar por entre os carros sorrindo abertamente com nariz de Clown. Borrifarei alegria sementiando paz nos olhos cansados de mal. Hoje eu vou me despir do receio do que os outros acham da minha dança louca. Vou plantar bananeira e me regar de céu. Com ternura pouca vejo esvoaçar louca as madeixas do meu singelo véu. Hoje vou bailar como me der na telha, me lançar nas ondas de um som de sonho bom, me esquivar da técnica que inventaram para me prender, vou soltar as amarras, destoar o tom e viajar no som. Hoje vou carregar a mochila de amor, deixar abrir o zíper enquanto giro louca de braços abertos e olhos fechados, e no espirrar de suas gotas vou gargalhar louca até não me aguentar no ar. Vou me morder nos lábios enquanto Te imagino sorrir pra mim e deixo que digam que sou louca por me entregar assim.
Vanessa, traz ela pra mim!

Só agora pude perceber o quanto traz a representação dela que ainda quero guardar em mim. As mesmas olheiras e o mesmo olhar cansado. A falta de maquiagem indica que se por um lado lhe falta vaidade por outro lhe sobram rugas. Seus poucos cabelos na testa e seu jeito louco de manifestar qualquer ação, só que menos mimado. Vejo agora que desamarrou o rosto usado e me focou com um olhar úmido. Lembro-me dela, não com pesar, mas com saudade alegre (se é que existe), se isto tem outro nome desconheço. E preservo, então, essa saudade que de tão alegre nem chega a doer. MINTO! Dói sim, mas de levinho, quase imperceptível. Essa comparação é mais uma das minhas muitas tentativas de desenferrujar a memória e rever a imagem que jamais pensei que seria embaçada pelo correr incansável do tempo. Só precisa desempoeirar e trazer à margem a figura que é só sua.
Divino demais pra ser igual
Às vezes sinto que preciso Te materializar.
Quero Te beijar, mas quero Te sentir, Te dimensionar.
Eu sei que Te toco, mas quero saber por onde passeiam minhas mãos.
Não quero forjar, quero Te abraçar e sentir os limites do Seu corpo.
Quero deitar no Seu colo e sentir o contorno do Seu peito.
Quero Te cheirar de perto e sentir o toque do meu nariz no Seu pescoço, e orelha, e cabelo.
E quero Te sentir me tocar também, saber que caminhos percorrem Suas mãos.
Queria poder Te materializar, nem que seja por segundos, de tanto que Te desejo.
Te quero.
Meus antigos contatos semelhantes à esse foram, tão somente, obra de imaginação.
Talvez essa seja a razão que explique meu anseio em Te tornar palpável.
Não que desdenho o que hoje desfruto Contigo, ainda sim é real, mas só queria Te sentir mais comum, e sentir.
Eu sei, Você se esconde do provável.
Deve ser isso que me faz Te querer tanto. E como quero!
Por não esbarrar tenho mais liberdade, sem olhares doutos de senso comum.
É apenas questão de tempo, muito em breve deixará de ser mera suposição e nos encontraremos nas sensações, quase dentro.
Então, Te sentirei de apenas sentir e sentir.
Espero...
Verdade Inventada

Alguém disse de que colocar os cotovelos sobre a mesa é falta de educação e todo mundo acreditou e segue a risca como se fosse uma ordem.
Fiquei sabendo que não pode demonstrar sentimento em público, pois causa câncer de pulmão.
Apontar pra estrela, nem pensar, nasce verruga.
Chegar perto de uma borboleta jamais, ela solta um pozinho que pode cegar. Sabia que se o chinelo ficar virado atrai má sorte? É verdade, todo mundo fala.
Ouvi dizer que se quebrar um espelho, pode esquecer, são sete anos de azar. Comprovado cientificamente.
Não deixe que varram seu pé, ou se não vai morrer solteira.
Não deixe de oferecer nada a uma criança, se ela aguar não tem reversão.
Comer o nó da cana provoca paralisia cerebral.
Homem não pode chorar de jeito nenhum. Se não vira boiola.
Não brinque de ficar vesgo, se der um golpe de vento você ficará assim pra sempre. (Fico a pensar como será um golpe de vento. =\ )
Quem dá e tira com o diabo fica e sua avó ressuscita. É verdade!
Não negue nada a uma grávida, pois ela pode te jogar bonitinho. Cuidado, o bonitinho é feio pra caramba.
Não assuste uma criança, se não ela vira o vento. (Putz isso eu queria ver!)
Evite a espontaneidade, isso causa hanseníase. Sério!
Nunca fuja às regras ou se não pode ficar tetraplégica.
Dizer “eu te amo” é atentado ao pudor.
Imitar cigarras provoca toxoplasmose. De vera!
Adultos não brincam como crianças, é crime inafiançável.
Dar gargalhadas altas e descontroladas provoca vitiligo. Principalmente se for na faculdade, aí nem pensar.
Passar blush está totalmente fora de cogitação, causa um problema seriíssimo de catarata. Aliás, pode causar é uma Foz do Iguaçu inteira.
O índice de mortalidade tem crescido 80% entre pessoas que se divertem em qualquer situação. Fique bem atento aos sintomas.
Não ceda espaços para transbordamentos, não quebre os muros, não invente janelas e muito menos portas. Seja o que a sociedade determinar, respeite totalmente as regras, não desligue a televisão, não leia, se tranque, se isole, não grite por socorro, não se mexa, não escute e principalmente, não fale.
Pixi pixi.
Meu Deus! Literalmente!
Hoje Te senti estranho. Por que pensar que estranho é ruim? Pelo menos o meu estranho não é. Não mesmo! Mesmo! Mesmo! Que vontade de rir.
Te imaginei casual hoje. Camisa de malha branca e calça jeans, acredita? Mas, os mesmos traços indianos e aquele olhar calado que não precisa dizer nada e fala tudo. Aquele macio e líquido. É, sei lá! É assim, sim!
Engraçado, hoje Você estava mais alto, reparou? Será que é porque cheguei mais perto? Será?
Só sei que hoje Te senti estranho. Estranhamente envolvente. Tava grande, com cheiro de parede úmida, refrescante. Sem abrir a boca Te ouvi estranho.
Ah, e como eu Te quis. De tão perto ouvi minha corrente sanguínea, ou era a Sua? A nossa. Somos um, que nem aquele chiclete que eu comprava na Rua 4. Não adianta me esforça que não lembro o nome, mas hoje Te senti estranho. Que bom Te ter assim!
Te amo! Olha só, não fica perdida e nem solta por entre as outras frases. Tudo faz sentido pra nós. Somos um, não é!
Tava tão bom que deixei rolar a baladinha. Num entendi nada, mas tava tão bom. Quando Você chega perto assim me faz rir, de tão boba que sou, de tão bom que fica.
Blusa branca e calça jeans? Ai, ai... Gostei de Te ver assim, sabia?
Que esquisito, não me lembro de ter reparado em suas roupas antes! Esteve sempre assim? Blusa branca e calça jeans. Tá vendo porque digo estranho?
Posso Te ter assim amanhã? Acho que daqui pra frente vai ser sempre desse jeito. Sua doida! RS
Hoje te quis estranho, te tive estranho, te senti estranho. Bom! Adoro Te encontrar nos cheiros!

