O que não se pode explicar
Te sentir
Breve relato
(...) é estranho
Curioso como uma coisa
constantemente normal se torna algo tão impróprio. Se dissolveu rápido
demais, mal deu pra acostumar com a falta que faz. Coisas que a vida tenta
ensinar na pancada e somos obrigados a aprender, ou pelo menos, fingir. Engolir
seco o choro que nem se pode revelar. Embrulhar em papel escuro o que não se
pode sentir. Esconder em fundas gavetas e proibir de vasculhar. Correr do risco
de não se machucar... outra vez.
Pra te dizer do amor que sinto
Que soul a revelar
Salmo 139
Sobra tanta falta...

Gotas
Ceder

Se fez preciso retroceder, fazer calar os sentimentos, observar o meio, aquietar a alma, dosar as emoções. Pedi pro coração ir devagar, tomar cuidado, desacelerar. Pois, sentir demais não faz bem ao pulmão. Entendi! Decifrar o olhar, calcular a distância com cautela para não perder de vista o eterno responsável. Os pensamentos desorganizam a mente como crianças agitadas bagunçam a casa. Respeito o limite do seu espaço, o que não quer dizer que estou apática. O choque do nosso encontro abalou a estrutura uniforme da minha convicção. A certeza foi pra outros cantos a convite da sua inesperada atitude. Calmamente busco refúgio e descanso, pois cansei de tentar fazer acontecer pela minha força. Entreguei os pontos e, enfim, passo a responsabilidade à Quem é devida. Só Ele sabe o que é melhor pra mim. Pronto!
Tin Tin
Um brinde ao amor não fingido, ao amor sentido e colocado em prática. Um amor de cara limpa, não entendido, que incomoda. Um brinde aos amores partidos que fizeram maduros corações. Um brinde às dores de cotovelos que destronaram paixões e desencadearam laços de extremas afeições. Um brinde à poesia rica de verso, pobre de rima, de firme convicção, banhada de sentimento, fora de tempo, de linha e padrão. Um brinde às mães, de sangue ou coração, presentes ou não. Que carregam consigo cantigas eternas de preciosa tradição. Um brinde à elas e suas insistentes definições: é carinho de mãe, colinho de mãe, cheirinho de mãe, comida de mãe, conselho de mãe, saudade de mãe, falta de mãe. Um brinde ao abraço demorado, descarregador de mágoas, validado por sinceridade, doado e não vendido. Um super brinde aos surpreendentes acontecimentos dos imagináveis de repentes de Deus, que mudam os nortes, derrubam os muros e renovam os rumos. Outro brinde ao beijo amigo, desarmador de máscaras, folhado de alegria, vizinho do sorriso, possuidor de simplicidade e calmaria. Um brinde à nostalgia que faz do sol companhia, que mantem vivos fatos, riscos fartos de folia. Um brinde ao misterioso futuro que o Autor reservou aos que decifraram os segredos pintados nos olhos das crianças. Brindemos, então, à elas e à pureza escondida no tímido sorriso de primeiros contatos, à viagem infantil ao país da fantasia, onde moram seus sonhos e magias. Um brinde à capacidade só delas de lapidar em nós tesouros de pirataria, perdidos por entre as ruínas da nossa antipatia. Um brinde à sensibilidade de trilhar os esconderijos que só o Criador sabia que nos trazem coragem de encontrar a saída. Um brinde à elas! Um brinde a Eles. Um brinde à vida!Vou seguir

Segui seu conselho, abri a janela e a luz invadiu a sala, tornando-a mais aconchegante do que nunca. O vento me trouxe um segredo perfumado de brisa. Nós tínhamos tudo, mas você roubou meu chão e seu olhar angelicalmente infantil suplicou minha retirada. Estou certa que deixei flores no seu caminho e o cheiro lhe perturba o sono. Tudo bem, não foi em vão, agora sei mais do amor, agora sei mais de mim. A luz entrou e casa se encheu de esperança. Fica mais fácil sorrir quando o vento sopra fora as velhas folhas de um saudoso passado, deixando tudo limpo para receber a tão esperada visita. E esta, traz consigo canções de novidades regadas de amor. Segui seu conselho, vou abrir e dar passagem. Que venha o novo, novos ares, novas recordações, novo tudo, novo eu, novo você, de novo nós!





